Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Strip Tease
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Homem-Tupperware
Minha amiga M.Y. se especializou em pegar aquele tipo de homem noturno e boêmio que não economiza nos tragos e, invariavelmente, retorna para o rancho sem condições técnicas para a conjunção carnal ou qualquer abofelamento que possa se chamar de sexo. São os melhores, ela prega: a excelência, o suprassumo, o filé em matéria de abate e diversão em tempos modernos. A este ser avulso, clandestino e simpático, que à noite ronda a cidade, batizamos de homem-tupperware.
A desalmada M.Y., típica predadora do ciclo do macho perdido, nos explica a terminologia adotada no folclore baladeiro: trata-se do sujeito que a gente guarda no final da noite para comer na manhã seguinte. O homem-tupperware, ela diz, com toda a sinceridade desse mundo, é o novissimo Casanova, um monstro na cama, um demônio, desde que seja respeitado no seu intocável estado de porre. Ele desperta com a fúria dos grandes e imbatíveis amantes, relata a moça, ainda com os lábios febris a derreter o gloss da tara e do desejo.
O macho desse gênero é uma dócil criatura que não dá quase trabalho, prossegue a bela afilhada de Balzac, um mulherão para 300 talheres. Segundo M.Y., esse tipinho de homem se encontra ali na faixa dos 40 ou mais, já foi casado ou se trata de um solteiro convicto e não vai grudar na barra da sua saia como faria um imaturo homem mais jovem.
O sujeito que se guarda como a um bom fiambre no tupperware, reforça a amiga, é um homem quase perfeito: apaga assim que deita na cama, portanto não corre o risco de desfiar besteiras ou tecer falsas promessas. É praticamente um homem sem mentiras, o que se torna um épico em se tratando da raça, diz M.Y., com mais uma demão nas suas peculiares tintas do exagero.
A criatura do gênero nem sempre percebe a sua condição de presa guardada para o abate matinal. A não ser os profissionais do ramo, figuras menos machistas que flanam pela noite com o desapego e o lirismo de um poeta do século XIX. Estes adoram e ainda fazem sonetos, com odes ao acaso, enquanto a predadora ingere sua inocente tigelinha de iogurte com cereais.
Para M.Y., é bom que se frise, pouco importa se o tal sujeito tem pendores românticos ou não passa de um tosco que usa apenas 10 por cento da cabeça animal. O que vale é a serventia da presa, ri a desgraçada, enquanto mapeia a geografia boêmia para os próximos ataques como um tubarão recifense que mira as canelas dos surfistas mais cevadinhos de Boa Viagem.
Sim, a amiga especialista reconhece: com a lei seca no volante diminuiu um pouquinho, um pouquinho de nada mesmo, o número de homem-tupperware dando sopa nos bares e botecos. Esse tipo de macho, além de prevenido, tem uma confiança danada no próprio taco –já sai de casa dando como certa a carona do bonde chamado desejo.
Xico Sá
*Melissa.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Porque eu sei o que é o amor.
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Porque eu sei que é amor
Anita
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Se puder, sem medo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava
Oswaldo Montenego.
Lolita.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Só nós dois.
Agora somos só nós dois e não
Temos que provar pra mais ninguém, amor
Eles não conseguem perceber como é real
Que a gente se encante com alguém assim
Existem mil mistérios que renovam os nossos planos
De seguir acreditando nesse nosso amor
E nada do que digam vai mudar o que pensamos, deixa estar
E agora vamos, já chegou
Meu coração vai te mostrar
Que esse amor não precisa esperar...
Não precisa esperar!
Anita*
''Se você quer me persuadir, você deve pensar meus pensamentos, sentir meus sentimentos e dizer minhas palavras. - Cícero.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Para o amor perdido
Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.
Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.
Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.
Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.
Fernanda Young.
Anita*
domingo, 23 de agosto de 2009
Aos que não enxergam
Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.
Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.
Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.
Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?
Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.
Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.
Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.
Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro
lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”*
Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.
* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque
Fernanda Young*Anita
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Caminhos
"Duas possibilidades: o amor surge quando está na hora de a gente se transformar ou, então, é por amor que a gente se transforma. Não é necessário tomar partido: talvez as duas sejam verdadeiras"
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Não lembro de ninguém assim, tão à flor de si mesmo
terça-feira, 28 de julho de 2009
I heard love is blind
I couldn't resist him
His eyes were like yours
His hair was exactly the shade of brown
He's just not as tall, but I couldn't tell
It was dark and I was lying down
You are everything - he means nothing to me
I can't even remember his name
Why're you so upset?
Baby, you weren't there and I was thinking of you when I came
What do you expect?
You left me here alone; I drank so much and needed to touch
Don't overreact - I pretended he was you
You wouldn't want me to be lonely
How can I put it so you understand?
I didn't let him hold my hand
But he looked like you; I guess he looked like you
No he wasn't you
But you can still trust me, this ain't infidelity
It's not cheating; you were on my mind
Yes he looked like you
But I heard love is blind...
Amy Winehouse.
Lolita assina embaixo.
;)
terça-feira, 21 de julho de 2009
Não faças caso, coração
Não faças caso, coração
É cedo prá sentires mágoa
Briga de amor é chuva de verão
É tempestade em copo d'água
Não faças caso, coração
Arranja outro que te sirva de limão.
Romeu prá conversar com Julieta
Encostava uma escada em seu balcão
Mas hoje o elevador resolve tudo
E o telefone está à nossa mão
Agora ninguém morre mais de amor
E é chic amar-se a dois, a quatro ou seis
Coração, acalma a tua dor
Ainda há de chegar a tua vez.
Nelson Gonçalves,
Lolita.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Pensando Em Você
Comparações são facilmente feitas,
Uma vez que você prova a perfeição
Como uma maçã pendurada em uma árvore
Eu peguei a mais madura
E eu ainda tenho a semente
Você disse 'siga em frente'
Para onde vou?
Eu acho que o segundo melhor
É tudo que eu vou conhecer
Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que eu faria se
Fosse você que estivesse
Passando a noite comigo
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos seus olhos
Você é como um verão indiano
No meio do inverno
Como um doce
Com uma surpresa dentro
Como eu fico melhor?
Uma vez que eu provei do melhor?
Você disse que há
Toneladas de peixes na água
Então eu vou provar das águas
Ele beijou os meus lábios
Senti o gosto da sua boca
Ele me puxou para perto
Eu fiquei com nojo de mim mesma
Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que eu faria se
Fosse você que estivesse
Passando a noite comigo
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos seus olhos
Você é o melhor
E sim eu realmente me arrependo
Como eu pude me deixar
Deixar você ir
Agora a lição está aprendida
Eu toquei isso e eu fui queimada
Ah eu achava que você devia saber
Porque quando eu estou com ele
Eu estou pensando em você
Pensando em você
O que eu faria se
Você fosse o tal
Que estava passando a noite
Ah, eu queria que eu
Estivesse olhando nos seus olhos
Seus olhos,
Olhando nos seus olhos
Olhando nos seus olhos
Ah você não vir
Arrombar a porta e
Me levar embora?
Ah, sem mais erros
Porque nos seus olhos eu gostaria de ficar.
Anita*
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Drama, drama, mais drama!
Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos - continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei com o meu coração como se fora com as mãos…
Despedaça-me o coração - e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue…
[Rainer Maria Rilke]
*Melissa
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Ahhh Capinejar...
Desculpa
"Te olho nos olhos e você reclama...
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi muito
profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse possibilidade...
De me inventar de novo.
Desculpa...
Desculpa se te olho profundamente,
rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada...
Onde ficam seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."
Anita*
terça-feira, 14 de julho de 2009
Retirando o pó do blog.
"existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. (...) quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave."
Clarice Lispector em Um Aprendizado ou O Livro dos Prazeres.
Lolita.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
A insustentável leveza do ser
Ele a estreitou contra si e levemente ela adormeceu em seus braços. Nos braços dele, mesmo no auge da agitação, sempre se acalmava. Ele contava a meia voz bobagens para ela, palavras tranqüilizadoras ou engraçadas que repetia num tom monótono.Quando dormiam, ela o segurava como na primeira noite: apertava-lhe firme o pulso, um dos dedos, ou o tornozelo.
Tomas dizia consigo mesmo: deitar-se com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não apenas diferentes, mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher).
Milan Kundera
*Melissa
domingo, 5 de julho de 2009
Você me pediu um cigarro.
Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.
Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.
Fabricio Carpinejar.
Anita*
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Quando não poderia ser diferente...
Não há decisões estabanadas, nenhuma história termina no dia em que ela realmente acaba. Há sempre um desvencilhamento anterior lento, sutil.(Como quando alguém percebe que gradualmente foi perdendo o apetite na hora em que costumava sentir mais fome).Não há aquilo que poderia ser feito de outro jeito. O aprendizado incluía as decepções e os acertos de ambos os lados.E, neste ínterim, os momentos de encontro: dos sonhos, solidões ou prantos.Não há dor que se amenize usando a força momentânea da raiva.Um coração machucado precisa de silêncio e colo, não de berrar aos quatro ventos sua falsa independência. Há ruídos que maculam o que deveria ser preservado.Há que haver gratidão pela lição que vem do que não pode ser mudado. Mas há sempre a possibilidade da transmutação.Numa desilusão, esteja atento: ninguém se perde de si mesmo porque foi abandonado. Por maior que seja a luz, não deixe que a sua sombra o encubra só porque um ciclo acabou sem explicações plausíveis.Há sempre alguma coisa nova por nascer e que precisa deste espaço.Há sempre uma história mais bonita adiante.Há sempre uma forma mais saudável de lidar com sua dor. E recriar o seu destino, tentar se harmonizar com as decisões do outro sem trazer para si as incompletudes dele, é uma forma bem mais interessante de sentir amor.
*
*
(Marla de Queiroz)
Anita*
terça-feira, 30 de junho de 2009
Bem Assim.
A dor é educada fora de casa. Dentro dos limites do portão, pode chorar, espernear, jogar objetos pela janela, quebrar os cds, empurrar os livros da estante. Em público, é cortês e polida. Não significa que não está louca por um escândalo. Está e se contém e se censura.
No amor, morre-se em segredo, numa hemorragia interna, sem ferimento a pôr as pessoas em desespero ao seu redor tentando socorrê-lo.
Não há quem não tenha sofrido o enfrentamento de encontrar uma paixão com outro namorado. Onde menos se espera, constatar que ele a esqueceu ou finge esquecer com habilidade. Que não era insubstituível, que é uma foto queimada e chaves devolvidas.
Na vulnerabilidade de uma conversa entre amigos, seu rosto fica branco ao reparar ele beijando e abraçando uma estranha. Corre ao banheiro para banhar o pescoço e aliviar a queimação. É um ódio e uma desvalia enormes como se a traição acontecesse ainda no momento que permaneciam juntos. Só que vocês não estão mais juntos. Nem se observa muito para não dar na vista. Não se olha nos olhos dele. De canto, percebe as mãos dele fazendo movimentos circulares nas costas dela, a pedir com volúpia a aproximação da cintura. Igualzinho como na época do namoro contigo.
É um drama rever quem se gostava comprometido. Seria sorte se apenas os cotovelos doessem - é todo o corpo. Toda a ausência do corpo dele no seu.
Esperava que a vida conspirasse a favor, de que ainda voltariam. Não fez nada para que acontecesse o retorno, mas esperava que o tempo parasse para pensar e facilitasse a reconciliação.
De repente, ele não está desejando uma revanche, vive a possibilidade de amar de novo. É difícil aceitar isso, queria que ele estivesse trancado no quarto, de luto, chorando um morto, enquanto você saía e aproveitava a noite. Nenhuma alma o convencerá do contrário. Tende ao exagero, a distorção. Ele abraça a nova namorada e entende que se esfrega nela, ele a beija e entende que a lambe.
Alheio à verdade (a verdade pouco importa diante do coração), reconhece a cena como uma vingança calculada, um acerto de contas. Elabora a tese de que ele apareceu justamente no bar que freqüenta para suscitar o ciúme e abalar suas convicções de despedida.
Baba de raiva, de dó, de pena de seu futuro. Ele acena. Não existe saída para fugir de falar com ele; decide se aproximar do casal. Cumprimenta a nova namorada com formalidade e distanciamento. Pergunta como ele vai e suporta escutar um "nunca estive tão bem".
Apesar dos calafrios, não retruca. Apesar da vontade de virar a mesa e ofendê-lo de cachorro, não retruca. Apesar do ímpeto de esmurrar o nariz da mulher e findar aquela felicidade inconsciente de mosca na teia de aranha, não retruca. Não, não diz nada. Perdeu o domínio de revidar.
A dor faz nascer um orgulho inquebrantável.Orgulho insensível e gélido. Orgulho de animal do pântano, acostumado a rastejar no escuro. Não entregará o que sente. Calará para sempre. Agora sim é uma morta, como queria que ele a tratasse. Mas ele não chora por você. É a morta que chorará
(Fabrício Carpinejar)
Anita*
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Melhor lugar para uma confissão.
Fiquei com outro ontem.
E foi bom!
Agora eu me pergunto:
Será que eu dependo tanto assim de você pra ser feliz?
Vale a pena mesmo me fechar pro resto do mundo por alguém que eu nem sei se me quer, de fato, ao seu lado?
Lolita,
nunca prestou.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Possuir...
No amor ninguém pode machucar ninguém; cada um é responsável por aquilo que sente e não podemos culpar o outro por isso... Já me senti ferida quando perdi o homem por quem me apaixonei... Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém... Essa é a verdadeira experiência de ser livre: ter a coisa mais importante do mundo sem possuí-la.
Paulo Coelho
Anita*
Olha...
Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor
Anita*
maniazinha
-Pronto, ela já começou a colocar pulga atrás da orelha da normalidade.
Frase proferida pelo amigo Vitor Angelo. Ela sou eu, claro. E ouvi isso depois de fazer algumas perguntas daquelas que a gente sempre faz. "O que será que isso significa? Você não acha isso meio estranho?"
Ai, essa tendência (será que feminina?) a achar tudo meio estranho...
(Nina Lemos)
Lolita.
terça-feira, 23 de junho de 2009

Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram. São imprevisíveis e sua única regra é a inconstância total. É irônico que justamente por isso, eles sejam tão perfeitos.
(Caio Fernando Abreu)
Anita*
Come what may
Never knew, I could feel like this
Like I've never seen the sky before
Want to vanish inside your kiss
Everyday I love you more and more
Listen to my heart
Can you hear it sing
Telling me to give you everything
Seasons may change, winter to spring
But I love you until the end of time
Come what may
I will love you until my dying day
Suddenly the world seems such a perfect place
Suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn't seem such a waste
It all revolves around you
And there's no mountain too high
no river too wide
Sing out this song and I'll be there by your side
Storm clouds may gather, stars may collide
But I love until the end of time
Come what may
Come what may
I will love you until my dying day
[Moulin Rouge]
Melissa,
a amante!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Palavrinha nova: ADMOESTAR!
[...]
-Chegou mulher bonita começa a dar merda no ambiente –admoesta a diva que flana na área.
Homem que é homem não chama uma moça à atenção, homem que é homem admoesta, mata no peito, desliza na coxa e faz do pito uma tese dramática de catega, jamais uma cantada, tão-somente uma isca para os movimentos futuros.
É o que nos professa o monstro de Alegrete, agora já retomando a sua melhor fase no jogo depois do alumbramento bucetístico.
-E digo mais, meus rapazes, ser amado pode até nos encher a bola, ampliar o orgulho macho etc, acontece, mas não olvidem jamais: toda mulher que ama, porra, se acha no sagrado direito de chutar o teu saco em qualquer calçada, a qualquer hora. E isso não é uma metáfora, porra, homem que é homem não trabalha com metáforas.
Como assim, meu guru, explique a teoria. Antes, porém, peço um uiscao duplo para nós outros.
Peréio cascaveliza o copázio e manda, de prima, no ângulo:
-Certa vez uma ex mandou a porrada nos meus culhões. Ali ainda no solo pátrio, me contorcendo em dores, deblaterei, blasfemei, e quis saber o motivo de tal ira.
Pausa para a chegada de Mário Bortolotto, que desafia o monstro de Alegrete na sinuca, assobia um um blues, e fica de botuca para ouvir as danações em andamento.
-No que a amada se explica, senhores, magnâmica: 'É que eu te amo demais'.
A essa altura, garçons, putas, rufiões, jogadores profissas e umas duas, três moças de bem indagam, em uníssono:
-E ai, o que fizeste, hombre de Diós?
-De chofre, gostaram do 'de chofre'?, admoestei: pois trata de me amar menos, porra! (...)Desse dia em diante, sempre adverti as fêmeas: por favor, me amem menos, cada vez menos, e de lá para cá tenho preservado o meu lindo saco cor de rosa.[Xico Sá]
domingo, 21 de junho de 2009
F o r g e t
es.que.cer v. 1. tr. dir. deixar sair da memória; perder a memória de; olvidar. 2. pron. tr. dir. não fazer caso de. 4. tr. ind. e intr. escapar da memória, ficar em esquecimento. 5. tr. dir. descurar-se de. 6. pron. perder a ciência ou a habilidade adquiridas. 7. pron. descuidar-se.
está no dicionário como se fosse das coisas mais fáceis do mundo. como se não exigisse um aprendizado. como se esquecer fosse involuntário, natural e acidental. perdeu, escapou, descuidou-se e kaput. mas não. o esquecimento é uma criança ligeira que exige atenção e esforço contínuos. é preciso que deixe as portas sempre abertas pra que, uma por uma, as imagens saiam. é preciso que eduque a atenção e que barre as sinapses que, ante qualque estímulo sensorial, chamam os esquecidos todos de volta. é preciso que mude o olhar. é preciso que doa. é preciso disciplina. é preciso que não tenha volta.
Anita*
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Ela...
"Sou cheia de manias. Tenho carências insolúveis. Sou teimosa. Hipocondríaca. Raivosa, quando sinto-me atacada. Não como cebola. Só ando no banco da frente dos carros. Mas não imponho a minha pessoa a ninguém. Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações. Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos. Então, se sou chata, não incomodo ninguém que não queira ser incomodado. Chateio só aqueles que não me acham uma chata, por isso me querem ao seu lado. Acho sim, que, às vezes, dou trabalho.
Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser ter que pagar o preço da manutenção, mude para um Passat."
(Fernanda Young - Ora Blogs! GNT)
Anita*
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Suspiro
Ele diz que vai me esquecer. Eu digo que não dá, mas sei que não era pra ser. Fecho os olhos e sonho acordada, é que a vida não anda mole pra ninguém. Tento acreditar que tudo passa, tudo passará. Mas às vezes duvido. Não, não tenha pena de mim. É só cansaço, um pouco de saudade, talvez uma vontade de louca de desaparecer por alguns minutos. Feito uma pausa de mil compassos. Simplesmente não sei o que fazer e ando um tanto cansada de pensar. Pensar enlouquece. Quero fechar os olhos, ouvir o vento, talvez ele tenha algo a me dizer. Queria teu coração no meu peito, mas isso já não dá mais para ser.
Anita*
Almost Lover
Your fingertips across my skin
The palm trees swaying in the wind
Images
You sang me Spanish lullabies
The sweetest sadness in your eyes
Clever trick
I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me
Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do
We walked along a crowded street
You took my hand and danced with me
Images
And when you left you kissed my lips
You told me you'd never ever forget these images, no
I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me
Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do
I cannot go to the ocean
I cannot drive the streets at night
I cannot wake up in the morning
Without you on my mind
So you're gone and I'm haunted
And I bet you're just fine
Did I make it that easy for you
To walk right in and out of my life?
Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do
Almost Lover - A Fine Frenzy
Anita*
Superlotando o blog
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer — e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
[Vininha de Moraes]
Porque hoje eu estou 'sei lá',
e tudo que leio me toca o coração.
Lolita,
que rima MESMO com esquisita.
Sente o drama
Não vou mais pedir desculpas, eu preciso descansar. Alguns sinais se apresentaram e eu não vou mais esperar que alguém me diga ou me pergunte, é sozinha mesmo que caminho, vou só continuar. Escondi tudo de mim, não quero ver, pode apagar e desistir, não vou mais continuar. Aquilo tudo ficou velho, outra cor, não reconheço o mesmo hálito, vou modificar e entregar o que chegou e vai chegar. Olha lá, está passando um novo filme e ele diz muito de mim, vou escrever o que senti pra depois continuar. Vou entregar todos segredos, sem mentir ou inventar, apartar todos os medos, não vai doer ou machucar. Pendurei alguns desenhos e agora durmo a observar, cogitar novos anseios que adiei por adiar. Escapei de um quase incêndio, ainda tenho febre mas prefiro não contar, depois eu me arrependo e não consigo perdoar. A minha culpa é muito triste e eu preciso me entregar, abrir de novo as pernas e viver só de gritar. Vou esquecer de tudo, prometo, vou tentar, vou ser melhor comigo e impedir qualquer perigo e fugir todos os dias e correr e festejar. Vou limpar agora a casa, receber outro assunto e me despir e me apertar, e por fim vai ter um dia que não vou mais acordar, não sentir mais a vergonha de ser triste e não saber como escapar.
Ivana Debértolis
Lolita
Trechinho
[...] Quanto mais se explica, mais se confunde. Como esclarecer o relacionamento no fim de noite. Acerta-se a primeira provocação e depois se erram as seguintes, tenta-se corrigir e nos atrapalhamos com as palavras. Confessamos o que não foi pensado e de vítima a agressor é um passo. Quantos casamentos ruíram pela mau uso dos sinônimos, apesar das melhores intenções do casal? Arrancar um pedido de desculpa custa caro. E a discussão do relacionamento não termina porque não se tem mais como escapar dela de uma forma digna, restando o choro ou o cinismo. Acho que amo para não explicar. Amo para deixar de me explicar. [...]
Carpinejar em Porta Giratória, Bolacha Recheada e Explicações pela metade.
Lolita.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Caio, como sempre!

“Mas não vou ceder. Foi a ultima paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda- se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta “são coisas da vida...”
Caio F. Abreu
Anita*
Só um comentário
Aprendi lendo Carpinejar que é preciso competência para ser diferente.
Agora, imagine só a competência que eu preciso ter pra viver um amor tão diferente assim...
Lolita
rima com ESQUISITA!
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Eu Te Amei Um Dia.
Eu te amei um dia.Isso é muito maluco, mas eu te amei de verdade. Um dia. Mais de um dia. Dias. Semanas. Meses. Ano. Anos.
Mesmo depois que passamos a querer coisas diferentes um do outro, eu te amei.Te dei o que eu tinha de melhor, sem quase perceber que o que eu tinha de pior ia junto. Chegou um momento que nossa relação atualizava meus mais pavorosos demônios... em mim. Como eu não percebi? Como eu deixei acontecer? Eu apenas te amava, tinha que ser dessa forma? Apenas te amava, mesmo quando já não queríamos as mesmas coisas. Isso eu percebi, mas de alguma maneira você também me prendia. Tinha algo em mim que você gostava - ou apenas queria - e você ficava me segurando com uma corda. Eu percebia, eu sabia - você nunca mentiu. Mas a forma como me segurava me fazia fantasiar que as coisas podiam, algum dia, deixar de ser do jeito que você queria para serem do jeito que eu queria. Eu fantasiava... e achava que era possível. Claro que achava. Eu te amava. Te amei tanto... como pensaria diferente? Amar e acreditar são verbos que andam tão juntos que às vezes esquecem que existem muitos outros verbos.... verbos estes que podem muitas vezes anular o "acreditar"... que podem anular o "amar". Mas eu te amava mesmo assim. Te amei muito um dia. Dias. Semanas. Meses. Ano. Anos.Eu aceitava porque acreditava. Você acreditava porque eu aceitava. E assim seguimos. Nunca mentimos um ao outro, mas só enxergávamos o que queríamos ver. Deve haver algum mérito nisso. A questão é que eu te amei. E isso é muito maluco. O amor? Não. Maluco é olhar para isso hoje e ver como os caminhos foram trilhados e onde estamos hoje. Eu te amei. O verbo é passado. Mas é presente tanto do que passou que às vezes nem sei quanto tempo faz. Se foi ontem. Se foi ano passado. Se será amanhã... Mas a verdade é que eu te amei. E mesmo caminhando em estradas diferentes, hoje e como sempre o fizemos, carregarei isso comigo para sempre. O verbo é passado, mas há coisas que ficam encravadas na alma... e isso pode, sim, ser muito bom. Eu te amei um dia...Que coisa maluca!
Anita*
Corazon partio
Tiritas pra este corazón partío. (tirititando de frio)
Tiritas pa este corazón partío, (pa este corazón)
Ya lo ves, que no hay dos sin tres,
Que la vida va y viene y que no se detiene...
Y, qué sé yo
Pero miénteme aunque sea dime que algo queda
Entre nosotros dos, que en tu habitación
Nunca sale el sol, no existe el tiempo ni el dolor.
Llévame si quieres a perder, a ningún destino, sin ningún por qué.
Ya lo sé, que corazón que no ve,
Es corazón que no siente,
El corazón que te miente amor.
Pero, sabes que en lo más profundo de mi alma,
Sigue aquel dolor por creer en ti,
¿qué fue de la ilusión y de lo bello que es vivir?
Para qué me curaste cuando estaba herido,
Si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío?
¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
Y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿Quién me va a curar el corazón partío?
Tiritas pa este corazón partío. (pa este corazón partio)
Tiritas pa este corazón partío. (pa este corazón)
Dar solamente aquello que te sobra,
Nunca fue compartir, sino dar limosna, amor.
Si no lo sabes tú, te lo digo yo.
Después de la tormenta siempre llega la calma,
Pero, sé que después de ti,
Después de ti no hay nada.
Lolita
com o coração 'tirititando de frio'.
domingo, 14 de junho de 2009
Dor Física x Dor Emocional
O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie.
Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.
Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.
As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.
Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.
Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.
(Martha Medeiros)
Anita*
sexta-feira, 12 de junho de 2009
"Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima. O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada. O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existe momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo no ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem. Somos muito mais capazes do que pensamos. Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada. Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está trabalhando e aprendendo. Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpresos conosco mesmos, e nossos pensamentos de inverno se transformam em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas. A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos".
(Kahlil Gibran)
Anita* , one more time!
Dia 12 de junho de 2009
Lair Ribeiro
Anita*
Clarice Lispector - A mação no escuro
[...]
Era alguma coisa que seria amor ou não seria. Caberia a ela, entre milhares de segundos, dar a leve ênfase de que o amor apenas carecia para ser.
Ermelinda parou com a espiga na mão, sua cabeça rodava um pouco, satisfeita, vexada. Porque, num segundo perdido entre milhares de outros na vastidão do campo, sujeita à lei da única célula que se fecunda entre as que fenecem, ela acabara de saber, como se escolhesse, que o amava. Não diretamente, pois não era moça com hábitos de coragem. Mas deste modo ela escolhera saber que o amava: “estou viva”, pensara ela. E ao pensar “estou viva” tomara pela primeira vez consciência de que antes também pensara na morte, e que também pensara no homem. A ignorância de seu próprio processo deu-lhe a surpresa da inocência. E somente então percebeu que agora era tarde demais, que só poderia amá-lo. Dolorosamente, altivamente, perdera para sempre a possibilidade de resolver. Com alívio, como quando é tarde demais. Um segundo antes ainda poderia não amá-lo. Mas agora, suavemente, vaidosamente: nunca mais. No mesmo instante teve uma sensação de tragédia.
E agora era tarde demais — qualquer que tivesse sido o sentimento gerador, este para sempre se volatizara. Era tarde demais: a dor ficara na carne como quando a abelha já está longe. A dor, tão reconhecível, ficara. Mas para suportá-la fomos feitos.
[...]
Lolita, que agora se arrepende e gostaria que seu codinome fosse Clarice.
=]
Uma confissão às 4 pm.
Eu faço questão de sofrer,
porque meu maior prazer é reclamar.
Lolita, a louca.
O teu amor é uma mentira, que a minha vaidade quer.
"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. "
[ Clarice Lispector ]
Porque você chegou assim, derramando poesia em mim inaugurando meu caderno,
de pressentimentos bons.
Por todas as noites e tardes e amanheceres intensos, pelos longos dias que passaram rápido, pela história de prosperidade incerta, mas de tanta inteireza e entrega.
Eu te guardo na lembrança mais bonita.
Meu menino bom, meu amante voraz, por você se derramar até eu ficar molhada,
jamais esquecerei tuas incandescências e esse amor que acendeu em mim
Novas exuberâncias.
E se nunca havia me comprometido com tanta certeza, é porque eu tentava caminhar onde não havia espaço.(E no seu abraço eu encontrei o caminho mais perfeito pro meu próximo passo).
Lá vem você de novo. Apareceu. Vem com aquele sorriso de graça, aquele olhar, aquela boca. Vem desarmar o meu mundo, dominar os meus sonhos. Me encantando. Me prendendo. E eu não sei se posso vencer esta guerra, nem se quero vencer. Não tenho resposta... Lá vem você bagunçar meu pensamento.
Pensamento esse que as vezes tão confuso, incerto... E para acabar com a idéias perdidas, resolvi colocar você. É você, pensar em você me faz bem, imaginar que você possa sim, pensar em mim também.
Tentei dizer as últimas palavras. Reescrevi mil vezes. A lixeira ficou cheia. Mas mesmo assim, não consegui. Por isso, esse discurso aqui não vai ter fim. Desta forma mesmo, sem fim. Porque é assim que nós queremos que seja cada uma das palavras ditas aqui.
Eternas.
Anita*
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Mandamentos da mulher
1- Mulher não mente, e sim omite os fatos.
2 - Mulher não fofoca, mas sim troca informações.
3 - Mulher não trai, se vinga.
4 - Mulher não fica bêbada, entra em estado de alegria.
5 - Mulher nunca xinga, apenas é sincera.
6 - Mulher não grita, testa as cordas vocais.
7 - Mulher nunca chora, lava as pupilas dos olhos com freqüência.
8 - Mulher nunca olha para um homem sarado, apenas verifica suas formas anatômicas.
9 - Mulher não sente preguiça, descansa a beleza.
10 - MULHER NUNCA ENGANA OS HOMENS, PRATICA O QUE APRENDEU COM ELES.
ha-ha
Melissa,
a vingativa.
Crimes Morais
Alguém entra na sua casa, rouba suas coisas, agride você. Esse alguém cometeu, de uma só vez, vários crimes. Previstos em vários artigos da Constituição. Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua auto-estima, estilhaça o pouco que resta da sua confiança no amor. E sai ileso. Mas não seria esse o pior crime que alguém pode cometer contra outra pessoa? Agressão só é penalizada quando alguém encosta a mão em alguém? Como se pune quem causa uma ferida que não está exposta?
Acredito que tomar uma surra de um boxeador deve doer menos do que ser traído. A dor física passa em algumas horas ou, em casos mais graves, alguns dias. Pra dor física, existe remédio. Pras feridas, existe curativo. Mas quem cura a dor de um coração destruído? Como se cura a dor de uma confiança perdida? O que fazer com as feridas cravadas na alma de alguém que sai na rua descrente do mundo? Como penalizar o agressor que, sem usar mãos, armas ou objetos cortantes e pontiagudos, causou ferimentos graves em alguém? Por que ninguém previu isso na lei?
As pessoas lotam os consultórios psiquiátricos, se entorpecem de remédio pra ansiedade, remédio pra depressão, remédio pra pressão, remédio pra dormir, remédio pra acordar. Remédio pra viver. Pra fazer viver quem quer morrer. Remédio pro irremediável. Pra dor que não passa. Pra ferida que ninguém vê. Vãs tentativas de resolver o caos interno. As pessoas tentam remediar uma dor que parece que nunca vai ter fim, um sofrimento que vem de dentro. Bem fundo. Tão fundo que nenhum remédio ou substância tóxica é capaz de alcançar.
Entendo perfeitamente crimes passionais. Entendo perfeitamente quando minha amiga diz que não consegue conversar mais com o ex-namorado porque ela tem vontade de bater nele. Entendo meu amigo que diz que preferia ver a namorada morta do que com outro. Sinceramente, entendo. Quando alguém te machuca, te decepciona, te magoa, a dor é tão grande que você quer agredir a pessoa de volta. Você se sente impotente. Enganado. Ferido. Frustrado. Dá vontade de matar. De morrer. De sumir. Seu mundo desaba bem na sua frente. Você sente que perdeu seu tempo, sua vida, sua auto-estima, suas forças. E qual a pena pro agressor nesse caso? Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?
O que sempre falo com meus amigos (como se conselho valesse de alguma coisa) é que vingança não é remédio. Nem fazer justiça com as próprias mãos. Acredito que o tempo se encarrega disso. Acredito que pessoas que usam da confiança e boa vontade das outras nunca vão se dar bem na vida. Ou não vão ser felizes. Ou nunca vão conseguir amar de verdade. Ou não mereciam a gente. Ou que a gente deve agradecer por ter se livrado de um encosto. Ou sei lá o que. Nunca fui boa conselheira. Talvez essas sejam as formas da vida punir quem brinca com o coração dos outros. Não sei mesmo. Em todo caso, deseje o mal de volta pra pessoa. Não por vingança. Só pra ver se ela é forte como você.
(Brena)
Anita*
O amor é a moda
“Olha, tudo é questão de momento
Homem que tem sentimento
Briga por tudo que quer
Ama, independente da moda
Macho, mas não se incomoda
De ser um doce com sua mulher.”
Roberto Carlos devia enfiar as letras de suas músicas na cabeça dos trouxas que nos rodeiam.
Att,
Melissa
quarta-feira, 10 de junho de 2009
"Estou esperando, você pode me encontrar. Ah como doía manter-se assim disponível, completamente em branco para a procura"
Caio F. Abreu
Pq o Caio sempre me deixa sem palavras...
Anita*
Mulherzinhas, nós?
Eu sou uma pessoa ansiosa. Exagerada. E consumo neurônios tentando interpretar o que se passa na cabeça do outros. Coisas de mulher, segundo um amigo hiper prático e objetivo. Mas ser mulherzinha é mesmo muito complicado. Tem horas que quero, porque quero compreender, saber, encontrar uma explicação. Para as coisas mais simples - porque para mulher tudo é importante, urgente e essencial. E eu não sou diferente. Às vezes eu sofro com essa conjunção de fatores que me fazem ser o que sou. Pensa que é fácil compreender os outros e ainda dar conta de mim mesma? Ter um monte de dúvidas, mas se obrigar a fazer tudo já? Não, não é. E tudo torna-se ainda mais difícil qunado as situações em questão envolvem uma pessoa. Do outro gênero. Sabe alguém que balança suas estruturas? Que mexeu com você? Que você quer de novo (agora!!!!)? Que te fez apaixonar (exagerada!!!!!!)? E que você não sabe (e precisa saber agora?) no que vai dar? É tudo uma delícia. É tudo um caos. Eu sei que às vezes o melhor remédio é deixar rolar, esperar e viver cada minuto sem criar expectativas...mas alguém consegue uma coisa dessas?!
Melissa
Momentos
Tesão reprimido deve dar câncer. Era só um cara interessante, agora pode te matar.
Pronto, você está apaixonada. E a paixão tem suas etapas.
Primeiro a negação: eu apaixonada? Imagina. Ele é impossível, nunca vai me dar bola, muito menos duas com o que eu quero no meio.
Depois a maximização: ele é mais inteligente, mais bonito, mais engraçado. E todos os mais possíveis para que ele seja mais desafio para você, mais inveja para as suas amigas, se você aparecer com ele na festa, mais fadinhas dançantes para fazer cosquinha no seu ego problemático.
Daí é a vez da "superlativização": em vez de ser mais, ele é "o mais", o mais fodido, o mais inteligente e o mais gostoso.
E você está a um passo do endeusamento: "ele é único", aí fodeu.
Se ele é único, ele é a sua única chance de ser feliz. E, se ele não quer nada com você, você acaba de perder a sua única chance de ser feliz. Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes.
Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis. De realidade. E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara. Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente.
Vá viver um grande amor.
Olha, faça um favor para mim, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
Tati tava com a língua afiada,
Anita *
Recordar é viver
Hoje eu descobri que essa relação nunca permitiu plural. Não existe a nossa música, o que existe é aquela musica que me lembra você. Não existe o nosso lugar, existe a sua cama, aquela que às vezes você me permite deitar para o seu prazer. E eu tentei transformar essa realidade na minha, ver com seus olhos pra entender suas loucuras, reprimir meu lado egoísta. Exercitei a minha paciência pela esperança de um dia te ter por inteiro. Me forcei a ser madura e aceitar não cobrar, não me importar e não dar chilique como se fosse natural. Não é natural! Eu não sei não ter ciumes, não sei sorrir para uma decepção, não sei dividir. E já tentei todos os truques pra não demonstrar minha fraqueza, só pra tentar te ter mais um pouquinho.
Eu nunca quis te mudar, afinal de contas, foi por esse seu jeito despreocupado, virado e tarado que eu me apaixonei. Mas sinto falta de algumas certezas. Não sou segura o suficiente pra ir embora e te deixar dormindo. Morro de medo de você acordar e nem ao menos lembrar com quem esteve. E odeio quando você não responde as minhas mensagens ou não me atende, essas coisas me diminuem. Me sinto colocada na vala comum, na gaveta das 'dou uns pegas'. Queria poder falar na NOSSA música, da NOSSA aventura no banco de trás de um carro e de todas as coisas que já fizemos juntos.
Mas ao invés de tentar me convencer de que eu não sou só mais uma, você insiste em me lembrar o tempo todo que esse sentimento é só meu, e que a sua vida não tem lugar pra mais um.
E tem dia que você quase me convence.
Texto antiiiiiiigo,
de épocas de Lolita corna.
Dos Pedaços Que Faltam
Fico pensando no que tudo isso se tornou. E no que foi um dia, se é que um dia foi alguma coisa. É que prá mim é tão difícil fazer as coisas "mais ou menos".... não sei ser faltando um pedaço. E isso tudo virou um enorme pedaço de algo cheio de faltas. Eu queria que vc se importasse... na verdade nem sei se vc se importa ou não.... queria q vc me ouvisse, mas, em algum momento num outro passado, perdi minha coragem de falar. Já estraguei tanta coisa por falar demais... mas talvez já tenha estragado muito mais por falar de menos. Não sei, não sei o que fazer. Não quero ser "aquela que cobra"... mas tb quero que vc saiba que eu percebo o que está acontecendo e que isso me importa. Se não importar prá vc, ótimo. Pelo menos sei da verdade. Está difícil ficar nesse lugar de que "está tudo bem", deixando rolar algo que nem sei o que é. Não posso cobrar nada, nem quero. Mas não sei ser as coisas pela metade nem cheia de faltas... e essa história tem buracos demais para que eu possa suportar calada por muito mais tempo.
Anita*
Coisas que a gente só pensa de madrugada.
Quando tudo der errado,
relaxa.
Você ainda tem a opção de mandar o primeiro filho da puta que passar na sua frente ir tomar no cu!
terça-feira, 9 de junho de 2009
Why isn't love enough?
Se loucura ajudasse, poderia cogitar as piores. Das mais rídiculas às mais perigosas: Pular de um carro em movimento na porta da sua casa. Saltar de paraquedas pelada.
Se funcionasse chorar, choraria até desidratar, até formar um rio, até...
Mas amor não se pede, imagine só.
Alô! Seu tonto, será que não dá pra você me olhar por cinco segundos pra que eu me sinta especial e consiga ver graça em qualquer noite chata?! Não, não posso pedir isso.
Ei, seu lerdo. Será que você não pode me abraçar forte e dizer que tá tudo bem só pra que eu perca o meu medo de cair?! Não, eu não posso dizer isso.
Acorda, acorda! E venha me beijar como um beijo de final de filme, porque a cada vez que você passa e não me olha eu me diminuo.
Definitivamente, não, melhor não.
Não vou dizer isso.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É um desperdício amar sozinha. É um saco chorar sozinha. É horrível construir sonhos sozinha.
Mas eu não posso, eu sei, dá vontade, mas eu não posso te ligar só pra dizer: Boa noite, não, não está tudo bem. Tô sofrendo aqui, será que dá pra parar com essa estupidez de não ser meu?!
Mas amor não se pede. Isso me dá raiva, mas e aí?
Também tenho raiva de todas as músicas que quis ouvir do seu lado e não pude, de todos os dvds que eu quis assistir embaixo do seu edredon e não deu, de todas as tardes de domingo que eu te quis do meu lado e não tive.
Parafraseando Nietzsche, você me roubou a solidão, mas nunca me ofereceu em troca verdadeira companhia.
Mas não posso, nem brincando, te ligar pra dizer: ei! Penso em você 24 horas do meu dia. Aposto que ninguém mais faz isso. Larga essa vida de migalhas e vê se me ama logo.
Porque amor, meu amor, não se pede. É triste, mas não se pede. É triste ir embora pra casa sozinha e sentir aquele vazio enorme no peito. É triste levantar sozinha, ter que me arrumar sozinha, ter que caminhar sozinha pra chegar, te ver rodeado de pessoas e às vezes não merecer nem um olhar.
É ainda mais triste sentir seu cheiro invadir meu espaço, aquele cheiro que acalma minha busca. O cheiro que me dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo te fazer feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, implorar, muito menos pra esquecer.
É triste saber que com você meu sorriso é diferente. Que você comigo é diferente, mas que a sua vida não é só aqui comigo. Dá vontade...
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Você sabe... Você sabe.
Texto adaptado,
Lolita.
Vem Andar Comigo
Sem dúvidas, o compositor dessa música estava inspiradíssimo quando a escreveu, como pode uma música bater em tudo com a vida de alguém? Poderia explicar todas as frases dessa música em reflexo da minha vida. Quando a ouvi pela primeira vez não prestei muita atenção, resolvi então baixar só “pra ter mais uma música”, e depois eu percebi como foi forte pra mim... “Basta olhar no fundo dos meus olhos, pra ver que já não sou como era antes”, nem se eu quisesse muito ser a mesma pessoa de antes, mas isso já está mais do que comprovado que é impossível porque você me tornou uma mulher muito melhor. “Tudo que eu preciso é de uma chance, de alguns instantes “ seria difícil isso? Alguns mínimos instantes, nem que fosse só pra ficar te olhando, te abraçar forte, enfim, sentir seu corpo bem junto ao meu, sinto uma carência enorme com isso, de ter você pertinho de mim. “Sinceramente ainda acredito, em um destino forte e implacável, em tudo que nós temos pra viver, e muito mais do que sonhamos”, acredito mesmo, muito além do que eu deveria até, confesso, acho que podemos sim, viver ainda muita coisa juntos, vejo um futuro tão bom pra gente, só basta a gente querer fazer isso se tornar real. “Será que é difícil entender, porque eu ainda insisto em nós, será que é difícil entender... Vem andar comigo...”, poderia citar vários motivos na qual eu ainda insisto, o primeiro deles seria o sentimento, puro, sincero, verdadeiro, toda felicidade que eu sinto quando estamos juntos, da vontade de mandar você me beliscar, sabe aquela sensação de ser coisa da sua cabeça? Exatamente isso. Entre outros motivos poderia citar também: dependência assídua, vício incontrolável,
droga perfeita, amor irreversível, vida eterna, tristeza agonizante, contentamento sem fim. “Vem, vem meu amor, as flores estão no caminho, vem meu amor, vem andar comigo!!.” Agora eu te peço, vem, vem andar comigo !
Anita.







